23.6.07

Motel

Agora uma banheira fria e suja dos restos da paixão.
Pelos e cabelos flutuam pela espuma gordurosa. Água cinza-esbranquiçada, da poeira que se escondia nos poros. O sêmem que dissolveu incomoda o corpo nu. A pele gruda em si mesma, o cheiro doce irrita as narinas.

Espaço pequeno. Corpos molhados de rugas frias que já não se conhecem. Ela sai com um beijo duro e rápido em direção ao chuveiro. Um banho curto silencioso.

Espero que vá até a cama para me banhar. Mergulho na ducha de água e vapor e espero sair renovado.
Mas fico morno, mole, cansado.

O doce do esperma invade o quarto. A banheira continua lá, esperando que alguém enfie o braço até o cotovelo para esvaziar.

Quase seco, deito ao lado dela. Dorme. As curvaas agressivas escapam insinuantes do da toalha mínima, mas o desejo esbarra no resto da umidade que coça nas dobras do corpo. O lençol gelado que arrepia a espinha.

Apago as luzes. Ânsia de despertar pela manhã com a paixão de volta aos corpos secos.

...

Não consigo dormir.

Um comentário:

Mari disse...

lindo...

mas acho que não foi pra mim. eu não tenho curvas AGRESSIVAS! ;)

queria mto saber de vc por agora... sua casa é caminho de todos os lugares do mundo e sempre essa luz acesa... beijos!