que artista nos fez assim
de rima metrificada
todo amor à piada
começo meio e fim?
23.6.07
Motel
Agora uma banheira fria e suja dos restos da paixão.
Pelos e cabelos flutuam pela espuma gordurosa. Água cinza-esbranquiçada, da poeira que se escondia nos poros. O sêmem que dissolveu incomoda o corpo nu. A pele gruda em si mesma, o cheiro doce irrita as narinas.
Espaço pequeno. Corpos molhados de rugas frias que já não se conhecem. Ela sai com um beijo duro e rápido em direção ao chuveiro. Um banho curto silencioso.
Espero que vá até a cama para me banhar. Mergulho na ducha de água e vapor e espero sair renovado.
Mas fico morno, mole, cansado.
O doce do esperma invade o quarto. A banheira continua lá, esperando que alguém enfie o braço até o cotovelo para esvaziar.
Quase seco, deito ao lado dela. Dorme. As curvaas agressivas escapam insinuantes do da toalha mínima, mas o desejo esbarra no resto da umidade que coça nas dobras do corpo. O lençol gelado que arrepia a espinha.
Apago as luzes. Ânsia de despertar pela manhã com a paixão de volta aos corpos secos.
...
Não consigo dormir.
Pelos e cabelos flutuam pela espuma gordurosa. Água cinza-esbranquiçada, da poeira que se escondia nos poros. O sêmem que dissolveu incomoda o corpo nu. A pele gruda em si mesma, o cheiro doce irrita as narinas.
Espaço pequeno. Corpos molhados de rugas frias que já não se conhecem. Ela sai com um beijo duro e rápido em direção ao chuveiro. Um banho curto silencioso.
Espero que vá até a cama para me banhar. Mergulho na ducha de água e vapor e espero sair renovado.
Mas fico morno, mole, cansado.
O doce do esperma invade o quarto. A banheira continua lá, esperando que alguém enfie o braço até o cotovelo para esvaziar.
Quase seco, deito ao lado dela. Dorme. As curvaas agressivas escapam insinuantes do da toalha mínima, mas o desejo esbarra no resto da umidade que coça nas dobras do corpo. O lençol gelado que arrepia a espinha.
Apago as luzes. Ânsia de despertar pela manhã com a paixão de volta aos corpos secos.
...
Não consigo dormir.
18.6.07
hoje
Começo o dia muito pequeno para a casa vazia.
Por todos comodos não sei que procuro.
Fora, deslizo entre as pessoas, distante da sociedade em volta do almoço.
Nenhum livro. Os deveres mal-cumpridos.
Cinema para distrair e falar de arte.
No fim dormir e me perder entre os lençóis frios.
Sem vontade de pensar se a manhã virá ou não.
17.6.07
5.4.07
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de conseqüências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
Outros viajam (também viajei),
outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive).
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em iodo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, álacre, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de conseqüências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
Outros viajam (também viajei),
outros estão ao sol
(Também estive ao sol, ou supus que estive).
Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica,
Vaidade, alegria e sociabilidade,
E emigram para voltar, ou para não voltar,
Em navios que os transportam simplesmente.
Não sentem o que há de morte em toda a partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em iodo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?
Gado vestido dos currais dos Deuses,
Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício
Sob o sol, álacre, vivo, contente de sentir-se...
Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda
Para o mesmo destino!
Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho,
Vou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste...
Àlvaro de Campos - Nuvens
Temos consciência da nossa própria fraqueza mas não queremos resistir a ela e nos abandonar. Embriagamo-nos com nossa própria fraqueza, queremos ser mais fracos ainda, queremos desabar em plena rua, à vista de todos, queremos estar no chão, ainda mais baixo que o chão.
Milan Kundera - A insustentável leveza dos ser
21.3.07
“Sabe, Marco, ontem tive um sonho. Não foi um sonho bom, os lençóis molhados atestam, mas não era pesadelo. Eu deitado, ela vinha em sorridente fúria. Seus olhos se aproximavam. Aumentavam de tamanho conforme crescia o calor que irradiava dos lábios cada vez mais úmidos e brilhantes. A íris cor de mel era já como a vista de um mapa em alto relevo, cadeias de montanhas verdes entrecortadas por traços de um marrom avermelhado que seguiam para o imenso buraco negro no centro. Qualquer forma de pensamento era imediatamente sugada para desconhecido universo paralelo. Atravessei a córnea transparente e brilhante e fui arremessado bem do alto em uma planície verde deserta. Deserta? Eu a via ao longe, a cabeça inclinada em direção aos pés, em lentas passadas largas, sem dobrar os joelhos. Os fios do cabelo vermelho lhe caiam sobre a face, revelavam, de lado, apenas os lábios entreabertos, suspirava. Eu tentava gritar, mas o vento forte tornava tudo silêncio inquieto. Caminhei em sua direção, ela me avistou. Uma rajada jogou seus cabelos para trás, abriu sua boca em um sorriso. Saltitante ela veio em minha direção, ao encontro do abraço, apertado, a girar. Mas logo o vento cessou e chorava. E choveu. Escuro e frio. Mais forte, eu a apertava, contendo os soluços e absorvendo na camisa as lágrimas, mais molhadas que a chuva. Quando secaram, um beijo demorado quente no canto da boca devolveu todo o sangue para as veias. Depois, repousou as mãos sobre meus ombros, distanciando-se com um leve sorriso de compreensão, que logo caiu num súbito e morno desinteresse. O olhar fugiu, para baixo e para os lados. Caminhando lentamente me atravessou como se de fosse de espuma. Quando passou, meu estomago irradiou ácido gelado para resto do corpo. Ao fim da contração de dor, despreguei as pálpebras e estava em uma sala vazia, de luzes apagadas, um fim de tarde alaranjado. Olhei para trás: em um imenso sofá de plástico azul opaco, meio sentada, meio deitada,os mesmos olhos baixos de desinteresse, ela lia, lenta e relaxadamente, um livro escuro de capa vermelha. Caminhei em sua direção. Ao primeiro movimento ela me observou, e o olhar ficava mais atento a cada passada lenta e decidida. Quando meus joelhos encontraram os seus, ela se levantou, e seu olhar, que não desviava, já beirava temor. E estávamos assim, seus olhos bem abertos quase a encostar nos meus, quando ela desapareceu, sugada. Sozinho na sala já quase escura, eu a possuía em meus pensamentos.”
5.3.07
Piada
noite de um dia quente
nó da gravata na garganta
coração cansado
olhos do repetição
pensamento em outro lugar
quando é que foi,
que tudo se tornou tão frio?
acho que vou pedir demissão
comprar rosas pra ela
e dançar pelado no portão
ou não
nó da gravata na garganta
coração cansado
olhos do repetição
pensamento em outro lugar
quando é que foi,
que tudo se tornou tão frio?
acho que vou pedir demissão
comprar rosas pra ela
e dançar pelado no portão
ou não
26.2.07
Fome
Eram cinco ao todo e me consumiam com os olhos. Olhos de fome e depressão, da sujeira daquelas ruas, de rancor contido. Me incomodavam.
Porque não iam embora?! Porque não faziam alguma coisa ao invés de ficar só olhando com aquele sofrimento frio?! Porque não choravam, gritavam, e me atacavam furiosos?! Aquela passividade diante do insuportável, do insustentável, me esmagava as vísceras e fazia os punhos tremerem fechados, unhas cravadas na palma da mão.
A dor que me causavam estava me deixando parecido com eles. Contia meu ódio, me conformava com o desconforto. Só olhava de volta com rancor. Quando percebi isso, algo se apossou de mim. Senti meu rosto esquentar. Ofegava.
O ônibus entrou em um túnel, amplificando o barulho já desagradável do motor. O ônibus não tinha lâmpadas e as luzes enfileiradas do túnel faziam tudo piscar em clarões amarelados. Cobertos por sombras e contrastes que faziam aumentar sua feiúra, seus rostos impregnados de repugnância se repetiam em intervalos curtos. Iguais. Estáticos.
Algo quebrou dentro de mim. Me atirei sobre eles como um animal faminto que surge de uma moita em direção ao pescoço de uma presa distraída. Gritava e arremessava meus punhos fechados para seus rostos sujos em ondas de fúria desordenada. Eles nada faziam alem de se encolher, continuavam a me encarar com rancor passivo. Clarão e trevas se revezavam e congelavam as cenas daquele delírio de ódio sem sentido em fotografias de um espetáculo feio e triste.
Quando saímos do túnel, o ar ficou claro e frio e eu já não tinha forças para bater. Minhas mãos, o chão e os assentos; tudo coberto de sangue. Não conseguia mais enxergar seus rostos. O ônibus parou e eles se arrastaram para fora.
Engatinhei até um dos assentos e sentei devagar com a cabeça encostada no vidro. Senti o corpo todo gelar e se dissolver na neblina pálido-azulada que se formava do lado de fora.
Estava gasto. Havia me consumido.
Porque não iam embora?! Porque não faziam alguma coisa ao invés de ficar só olhando com aquele sofrimento frio?! Porque não choravam, gritavam, e me atacavam furiosos?! Aquela passividade diante do insuportável, do insustentável, me esmagava as vísceras e fazia os punhos tremerem fechados, unhas cravadas na palma da mão.
A dor que me causavam estava me deixando parecido com eles. Contia meu ódio, me conformava com o desconforto. Só olhava de volta com rancor. Quando percebi isso, algo se apossou de mim. Senti meu rosto esquentar. Ofegava.
O ônibus entrou em um túnel, amplificando o barulho já desagradável do motor. O ônibus não tinha lâmpadas e as luzes enfileiradas do túnel faziam tudo piscar em clarões amarelados. Cobertos por sombras e contrastes que faziam aumentar sua feiúra, seus rostos impregnados de repugnância se repetiam em intervalos curtos. Iguais. Estáticos.
Algo quebrou dentro de mim. Me atirei sobre eles como um animal faminto que surge de uma moita em direção ao pescoço de uma presa distraída. Gritava e arremessava meus punhos fechados para seus rostos sujos em ondas de fúria desordenada. Eles nada faziam alem de se encolher, continuavam a me encarar com rancor passivo. Clarão e trevas se revezavam e congelavam as cenas daquele delírio de ódio sem sentido em fotografias de um espetáculo feio e triste.
Quando saímos do túnel, o ar ficou claro e frio e eu já não tinha forças para bater. Minhas mãos, o chão e os assentos; tudo coberto de sangue. Não conseguia mais enxergar seus rostos. O ônibus parou e eles se arrastaram para fora.
Engatinhei até um dos assentos e sentei devagar com a cabeça encostada no vidro. Senti o corpo todo gelar e se dissolver na neblina pálido-azulada que se formava do lado de fora.
Estava gasto. Havia me consumido.
24.2.07
O ovo
"O ovo, então, começou a falar, com uma voz angelical, com Isabel:
_Linda garotinha, você foi a única que me deu valor e interessou-se por mim. Vim aqui para realizar um desejo da pessoa que conseguisse me olhar com os olhos mais belos e puros do mundo, com olhos de criança, olhos inocentes... "
_Linda garotinha, você foi a única que me deu valor e interessou-se por mim. Vim aqui para realizar um desejo da pessoa que conseguisse me olhar com os olhos mais belos e puros do mundo, com olhos de criança, olhos inocentes... "
Mariana Salomão Carrara
23.2.07
Ctrl + ...
Quando eu era jovem e não tinha o peito cabeludo, jogava videogame. Adorava o mecanismo de salvar. Quando estava receoso de que o herói morreria, eu salvava o jogo.
Salvar: alguns comandos e eu tinha o poder de reverter a qualquer momento para o espaço-tempo onde me encontrava.
Antes de qualquer desafio salvava o jogo: para enfrentar o chefão: salvava; Não sabia qual era o caminho certo – salvava; ia tentar algo inovador e arriscado – salvava; "não aguento mais jogar, não vou conseguir nunca" - salvava e tentava depois, mais descansado.
Sonhava que se encontrasse a lâmpada do gênio, ia pedir um aparelho pra poder salvar a vida.
Salvar – a minha vida.
Assim eu ia poder ousar. Fazer coisas absurdas, insensatas, risco de vida. Se nada desse certo, era só reverter pro jogo salvo. Ia ficar rico, poderoso: conheceria o futuro e voltaria no momento salvo para conseguir vantagens do tipo ganhar na mega-sena.
Desenvolvi teorias elaboradíssimas sobre isso.
Esecrever é assim também. Escrevo, salvo, revejo, se não gosto: Ctrl + Z. Paro, descanso e mudo tudo depois.
Escrevendo sempre se pôde, mas nem por isso me tornei um grande escritor.
E, mesmo com o poder de salvar, nunca cheguei ao fim da maioria dos jogos de videogame que já tive.
Quantos textos bons eu já estraguei tentando melhorar depois!
Quanto tempo eu desperdicei jogando videogame!
Quanto eu já perdi na vida por ter medo que o herói morresse!
Salvar: alguns comandos e eu tinha o poder de reverter a qualquer momento para o espaço-tempo onde me encontrava.
Antes de qualquer desafio salvava o jogo: para enfrentar o chefão: salvava; Não sabia qual era o caminho certo – salvava; ia tentar algo inovador e arriscado – salvava; "não aguento mais jogar, não vou conseguir nunca" - salvava e tentava depois, mais descansado.
Sonhava que se encontrasse a lâmpada do gênio, ia pedir um aparelho pra poder salvar a vida.
Salvar – a minha vida.
Assim eu ia poder ousar. Fazer coisas absurdas, insensatas, risco de vida. Se nada desse certo, era só reverter pro jogo salvo. Ia ficar rico, poderoso: conheceria o futuro e voltaria no momento salvo para conseguir vantagens do tipo ganhar na mega-sena.
Desenvolvi teorias elaboradíssimas sobre isso.
Esecrever é assim também. Escrevo, salvo, revejo, se não gosto: Ctrl + Z. Paro, descanso e mudo tudo depois.
Escrevendo sempre se pôde, mas nem por isso me tornei um grande escritor.
E, mesmo com o poder de salvar, nunca cheguei ao fim da maioria dos jogos de videogame que já tive.
Quantos textos bons eu já estraguei tentando melhorar depois!
Quanto tempo eu desperdicei jogando videogame!
Quanto eu já perdi na vida por ter medo que o herói morresse!
Temp
Quando voltava pra casa pelo lugar onde penso nela e escrevo, o céu da madrugada estava limpo, levemente avermelhado, porém calmo. Limpo e seco.
Mas eu via uma tempestade. Via nuvens volumosas de chumbo e relâmpagos que revelavam em estrondos ameaçadores a transparência de água que flutua em agitação.
O ar ficou elétrico e úmido e as ruas fizeram silêncio.
Uma tempestade de chumbo transparente flutuava sobre minha cabeça, pronta para cair com ventos que enchem os olhos de poeira, gotas grossas assustando as pessoas da rua, raios e trovões, acidentes de trânsito, beijos de paixão encharcada, notícias terríveis das enchentes, cobertores quentes e abraços apertados.
O ar estava cheio de eletricidade silenciosa, o vento soprava lento e forte, gotas de chumbo transparente flutuavam agitadas sobre minha cabeça - mas ainda não chovia.
Um ônibus veio calmo em minha direção. No letreiro de luz dourada: LARGO S. FRANCISCO.
Virou a esquina em que estava e o barulho feio do motor desfez o silêncio da tempestade.
Essa noite não choveu,
mas segunda feira começam as aulas.
Mas eu via uma tempestade. Via nuvens volumosas de chumbo e relâmpagos que revelavam em estrondos ameaçadores a transparência de água que flutua em agitação.
O ar ficou elétrico e úmido e as ruas fizeram silêncio.
Uma tempestade de chumbo transparente flutuava sobre minha cabeça, pronta para cair com ventos que enchem os olhos de poeira, gotas grossas assustando as pessoas da rua, raios e trovões, acidentes de trânsito, beijos de paixão encharcada, notícias terríveis das enchentes, cobertores quentes e abraços apertados.
O ar estava cheio de eletricidade silenciosa, o vento soprava lento e forte, gotas de chumbo transparente flutuavam agitadas sobre minha cabeça - mas ainda não chovia.
Um ônibus veio calmo em minha direção. No letreiro de luz dourada: LARGO S. FRANCISCO.
Virou a esquina em que estava e o barulho feio do motor desfez o silêncio da tempestade.
Essa noite não choveu,
mas segunda feira começam as aulas.
12.1.07
12:51
Talk to me now I'm older
Your friend told you 'cause I told her
Friday nights have been lonely
Change your plans and then phone me.
We could go and get 40s
Fuck goin' to that party
Oh really, your folks are away now?
Alright, let's go, you convinced me.
12:51 is the time my voice
Found the words i sought...
Is it this stage I want?
The world is shutting out...0for us.
We were tense for sure,
But we was confident...
Kiss me now that I'm older
I won't try to control you
Friday nights have been lonely
Take it slow but don't warn me
We'd go out and get 40s
Then we'd go to some party
Oh really, your folks are away now?
Alright I'm coming...
I'll be right there.
Strokes
Your friend told you 'cause I told her
Friday nights have been lonely
Change your plans and then phone me.
We could go and get 40s
Fuck goin' to that party
Oh really, your folks are away now?
Alright, let's go, you convinced me.
12:51 is the time my voice
Found the words i sought...
Is it this stage I want?
The world is shutting out...0for us.
We were tense for sure,
But we was confident...
Kiss me now that I'm older
I won't try to control you
Friday nights have been lonely
Take it slow but don't warn me
We'd go out and get 40s
Then we'd go to some party
Oh really, your folks are away now?
Alright I'm coming...
I'll be right there.
Strokes
5.1.07
Como sempre

Fazendo o caminho de sempre, da volta pra casa, passava distraído sob aqueles andaimes que brotaram na calçada em frente àquela construção.
Uma gota da água da chuva que se acumulara sobre a madeira suja caiu no meu ombro. Num primeiro momento nem liguei, continuei andando. Mas, aos poucos, se apossou de mim a idéia de que aquela gota poderia ter escorrido de um ser que estaria grudado na parte de baixo da plataforma de madeira, feito um monstro de filme de ficção barata, aguardando silenciosamente alguém para dar o bote.
Era desses temores absurdos, sem o menor sentido. A gente para de acreditar na infância mas nunca deixa de temer. E por um momento tive certeza de que, se olhasse para trás, veria seu corpo esguio pegajoso e olhos brilhantes enfurecidos, prontos para me matar por ter percebido sua presença.
Mas a certeza passou e olhei para trás: tudo que vi foram dois faróis, que tudo iluminavam tranquilamente, ao longo da rua, vindo em minha direção.
E quando o carro passou do meu lado, meio devagar para fazer uma curva na próxima esquina vi minha silhueta refletida nos vidros das janelas, e lembrei que tinha cortado o cabelo. Lembrei que, como sempre, havia esperado meses e deixara crescer uma juba desgrenhada antes de tomar uma atitude.
Mas dessa vez eu disse pro moço das tesouras que queria deixar mais comprido, que era só pra dar uma ajeitada, pois tem gente que acha mais bonito assim.
E pensando que estava mais bonito assim, continuei o caminho feliz: teria algo a dizer, mesmo que não fizesse muito sentido.
4.1.07
28.12.06
Changes

I still don't know what I was waiting for
And my time was running wild
A million dead-end streets
Every time I thought I'd got it made
It seemed the taste was not so sweet
So I turned myself to face me
But I've never caught a glimpse
Of how the others must see the faker
I'm much too fast to take that test
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Don't want to be a richer man
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Just gonna have to be a different man
Time may change meBut I can't trace time
I watch the ripples change their size
But never leave the stream
Of warm impermanence and
So the days float through my eyes
But still the days seem the same
And these children that you spit on
As they try to change their worlds
Are immune to your consultations
They're quite aware of what they're going through
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Don't tell t hem to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you can't trace time
Strange fascination, fascinating me
Changes are taking the pace
I'm going through
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Oh, look out you rock 'n rollers
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strain)
Ch-ch-Changes
Pretty soon you're gonna get a little older
Time may change me
But I can't trace time
I said that time may change me
But I can't trace time
David Bowie
27.12.06
volta
O céu cinza de nuvens e o clarão das luzes da cidade - sem estrelas. O ar úmido da noite de um dia quente.
Desço do ônibus na São Paulo das ruas vazias.
A voz distante de uma conversa oculta pelas esquinas. O som dos carros abafado pelos prédios que dormem.
Eu gostava de passar devagar por tudo isso.
Mas já não quero me molhar na garoa.
E eco dos meus passos lentos já não me fazem pensar.
Examino apreensivo as sombras das fachadas das casas e olho para trás para que ninguém me siga.
Um gato preto passa ao meu lado.
E se eu antes achava romântico, atravesso a rua para chegar depressa.
Passos rápidos não fazem eco.
Eu só quero chegar em casa e dizer pra ela que tá tudo bem.
Desço do ônibus na São Paulo das ruas vazias.
A voz distante de uma conversa oculta pelas esquinas. O som dos carros abafado pelos prédios que dormem.
Eu gostava de passar devagar por tudo isso.
Mas já não quero me molhar na garoa.
E eco dos meus passos lentos já não me fazem pensar.
Examino apreensivo as sombras das fachadas das casas e olho para trás para que ninguém me siga.
Um gato preto passa ao meu lado.
E se eu antes achava romântico, atravesso a rua para chegar depressa.
Passos rápidos não fazem eco.
Eu só quero chegar em casa e dizer pra ela que tá tudo bem.
8.12.06
"E tudo era azul, Marco, azul e frio.
Comecei a nadar. Não tinha mais medo. Nadava sem saber para onde, mas confiante de que chegaria em algum lugar.
Não, eu não parava para descansar. Não havia como. Onde eu me apoiaria? Era só a água azul e fria; a pálida luz azul que vinha do fundo insondável e os distantes vitrais no teto, nos quais o reflexo azul da água se projetava sob escuridão de um céu sem nuvens e sem estrelas. Mais nada.
Não sei por quanto tempo nadei até que senti meus braços esbarrarem em sua pele. Parei estarrecido.
Sim, Marco, era ela. A mesma moça dos cabelos vermelhos. A que me observara silenciosa durante o estranho ritual dos homens de terno; a que me conduzira para fora do labirinto, que sorria para mim, distante, das janelas dos edifícios.
Mas ela já não sorria. Estava nua, como eu, mas não nadava. Flutuava estranhamente: não movia as pernas e seus braços se apertavam sobre os seios tentando se proteger do frio azul, que dava um tom pálido a sua pele, tingia seus cabelos de um roxo triste.
Ela que, com um sorriso tranqüilizador, tomara minha mão e me mostrara a saída do labirinto de azulejos brancos , me lançava agora um olhar melancólico e pedia minha ajuda. Era ela, agora, que queria sair dali.
Mas o que podia eu fazer? Só então percebi que não tinha a menor idéia de onde estava e já não sabia mais porque nadava a tanto tempo. Olhei para o vazio em que me encontrava e tive medo.
A abracei. Com todas as forças que ainda tinha. Seu corpo ainda era mais quente que o meu. Sentia sua respiração assustada em meu ouvido e a apertava com força. Nossos corpos se entrelaçaram – flutuávamos.
E foi só quando nos beijamos que a água começou a se mover. Como um mar revolto. Ondas conduziam nossos corpos. A luz foi ficando mais intensa, até o azul dar lugar a um clarão que não nos permitia enxergar nada além de um ao outro.
Não demorou muito e percebi que havíamos chegado a uma espécie de porto. Nossos pés tocaram um chão de pedra, de um lugar que lembrava a ruínas de um templo antigo invadido por um rio. Um lance de escadas nos levou a um quarto.
Era pequeno e branco sem nada além de uma grande cama. Uma janela ampla, de vidro, deixava entrar o sol de um dia bonito. Lá fora, pessoas passavam apressadas, distantes. Estávamos em um prédio alto.
Deitamos e nos amamos. E seu corpo era quente, seu coração batia forte, sua respiração fazia tremer as janelas e seus cabelos exalavam um cheiro doce que enchia o quarto e me entorpecia como uma droga.
E tudo era ela. Tudo era vermelho e tudo fazia sentido. Nós riamos da pressa das pessoas lá embaixo e de tudo que acontecera até então. Ela me contava do caminho que fizera até ali e de como havia se perdido. E eu lhe perguntava o que era tudo aquilo e o que tinha acontecido naquela manhã em que as pessoas desapareceram. Ela sorria e dizia que também não sabia, e era o bastante. Estávamos felizes.
Mas então, Marco, algo aconteceu. Um barulho lá fora. Algo sério e ruim. Eu não tive coragem de olhar pela janela para ver o que era. Seu sorriso se desfez e ela disse que precisava ir. Que estava triste porque queria voltar mas não sabia se eu ainda estaria ali. E eu disse, assustado, que também não sabia. Que desde aquela manhã de segunda feira eu seguia sem saber onde estava, num fluxo de lugares e pessoas que não entendia. Disse que tinha medo de que ela se fosse, porque as coisas só pareciam fazer sentido quando ela aparecia.
E enquanto eu dizia isso, Marco, ela desapareceu. Foi o piscar de olhos entre uma palavra e outra ela já não estava mais lá.
Marco, de tudo que aconteceu, nada me perturba e entristece mais que isso. Tanto que eu nem sei bem como te contar. Saí do quarto tentando a encontrar, mas me deparei apenas com corredores escuros e vazios de um prédio de escritórios. Tentei voltar, mas a porta já estava trancada.
Estava perdido de novo."
O' Toothle - Flow
20.11.06
19.11.06
Guerra
Esse eu escrevi a algumas semanas mas não postei porque andava sem tempo. Além disso achei que ficou com cara de Sabrina...
Franz acordou em meio a um campo desolado.
Vergonhosamente abatido pelo deslocamento de ar de uma explosão de granada, fora deixado para trás pelos companheiros em retirada e dado por morto pelos inimigos que avançavam.
Ergueu-se enfrentando a dor impregnada em cada músculo, cada osso, e caminhou contra a vontade da mão invisível que esmagava seu crânio e fazia girar a paisagem.
Deixou para trás os corpos gelados dos outros soldados e percorreu aquela bucólica região francesa, descolorida pelo inverno, entristecida pela Guerra. Passava por algumas casa destelhadas e chamuscadas pelas bombas de seu poderoso exército, quando notou que lhe observavam.
Era jovem e bela, num vestido longo chamuscado. Seus olhos brilhavam e o rosto pálido refletia medo e pena.
Sem pensar, num delírio febril, cambaleou desesperado e desabou, patético, a seus pés.
Ela o recebeu. Cuidou de suas feridas. Lhe deu de sua água. Compartilhou da pouca comida que tinha. E quando a noite veio, fria, aqueceu seu corpo com o calor de seu corpo.
Não trocaram uma palavra, sabiam que não entendiam a língua um do outro. E naqueles tempos de brados de bravura e choro desesperado sentiam-se felizes em falar através de olhares.
Ela vivia sozinha no vilarejo arruinado: orfã e viúva da guerra.
Na manhã seguinte, ela lhe serviu chá. ("Onde é que teria conseguido chá em meio a tudo isso!?") Ele sorveu o líquido precioso, reconfortante, que aquecia suas vísceras. Sentiu-se vivo como a muito não sentia.
Quando terminou, pôs a xícara sobre a mesa, caminhou lentamente até a jovem a abraçou, como se abraça a quem ama, e beijou devagar seus lábios vermelhos. Olhando-a nos olhos, disse, mesmo sabendo que ela não entenderia suas palavras: "Tenho que voltar para a guerra."
Ao fechar a porta atrás de si, estava um pouco triste, envergonhado, mas nem por isso menos confiante.
E confiante partiu rumo a seu destino: o frio e estúpido destino dos homens.
Franz acordou em meio a um campo desolado.
Vergonhosamente abatido pelo deslocamento de ar de uma explosão de granada, fora deixado para trás pelos companheiros em retirada e dado por morto pelos inimigos que avançavam.
Ergueu-se enfrentando a dor impregnada em cada músculo, cada osso, e caminhou contra a vontade da mão invisível que esmagava seu crânio e fazia girar a paisagem.
Deixou para trás os corpos gelados dos outros soldados e percorreu aquela bucólica região francesa, descolorida pelo inverno, entristecida pela Guerra. Passava por algumas casa destelhadas e chamuscadas pelas bombas de seu poderoso exército, quando notou que lhe observavam.
Era jovem e bela, num vestido longo chamuscado. Seus olhos brilhavam e o rosto pálido refletia medo e pena.
Sem pensar, num delírio febril, cambaleou desesperado e desabou, patético, a seus pés.
Ela o recebeu. Cuidou de suas feridas. Lhe deu de sua água. Compartilhou da pouca comida que tinha. E quando a noite veio, fria, aqueceu seu corpo com o calor de seu corpo.
Não trocaram uma palavra, sabiam que não entendiam a língua um do outro. E naqueles tempos de brados de bravura e choro desesperado sentiam-se felizes em falar através de olhares.
Ela vivia sozinha no vilarejo arruinado: orfã e viúva da guerra.
Na manhã seguinte, ela lhe serviu chá. ("Onde é que teria conseguido chá em meio a tudo isso!?") Ele sorveu o líquido precioso, reconfortante, que aquecia suas vísceras. Sentiu-se vivo como a muito não sentia.
Quando terminou, pôs a xícara sobre a mesa, caminhou lentamente até a jovem a abraçou, como se abraça a quem ama, e beijou devagar seus lábios vermelhos. Olhando-a nos olhos, disse, mesmo sabendo que ela não entenderia suas palavras: "Tenho que voltar para a guerra."
Ao fechar a porta atrás de si, estava um pouco triste, envergonhado, mas nem por isso menos confiante.
E confiante partiu rumo a seu destino: o frio e estúpido destino dos homens.
29.8.06
25.8.06
23.8.06
21.8.06
E qual não foi minha surpresa, Marco, quando eu reparei que estava sozinho. Não, Marco, não estava simplesmente desacompanhado. Não havia mais ninguém lá. Imagine só: em plena Picadilly Circus Station, às nove da manhã de uma segunda feira de primavera, sozinho. Nenhuma alma viva ao longo do imenso tubo de azulejos além de mim.
Não foi como se as pessoas tivessem desaparecido de repente. Não pude perceber de que forma aconteceu, nem qual fora o último momento que vira alguém. Simplesmente seguia meu caminho como sempre, sem reparar muito em nada, como sempre, e, quando percebi, estava sozinho. Senti gelar a ponta dos dedos e por um momento pensei que minhas pernas não seriam capazes de me sustentar. Como aquilo era possível?
Não foi como se as pessoas tivessem desaparecido de repente. Não pude perceber de que forma aconteceu, nem qual fora o último momento que vira alguém. Simplesmente seguia meu caminho como sempre, sem reparar muito em nada, como sempre, e, quando percebi, estava sozinho. Senti gelar a ponta dos dedos e por um momento pensei que minhas pernas não seriam capazes de me sustentar. Como aquilo era possível?
O' Toothle - Flow (Tradução Livre)
15.8.06
Morna manhã
Talvez por preguiça.
Talvez por cansaço, ou sono mesmo.
Talvez seja o Processo, as Obrigações, o Crime, a Pena.
Ou as ondas de calor que sobem dos asfalto junto com a fumaça preta
que me fazem arder os olhos,
e me queimam a garganta.
Ou talvez seja mesmo a velha melancolia.
Hoje,
quando o sol, amarelo, invadiu meu quarto,
o despertador gritou, estridente, irritante.
Mas por mais que insistisse,
não movi um músculo.
Talvez por cansaço, ou sono mesmo.
Talvez seja o Processo, as Obrigações, o Crime, a Pena.
Ou as ondas de calor que sobem dos asfalto junto com a fumaça preta
que me fazem arder os olhos,
e me queimam a garganta.
Ou talvez seja mesmo a velha melancolia.
Hoje,
quando o sol, amarelo, invadiu meu quarto,
o despertador gritou, estridente, irritante.
Mas por mais que insistisse,
não movi um músculo.
12.8.06
Grilo falante
Postura. Cabeça erguida. Olhe nos olhos.
Aja naturalmente. Não se reprima, gesticule ao falar.
Não.... Para... Tá gesticulando demais, você não é assim.
O que você tá fazendo? Nunca cruze os braços! É uma barreira, um sinal de desconforto com a situação!
Ninguém tá desconfortável com a situação aqui...
Olhe para os lados, despretensiosamente.
Conheço essa menina. Será que cumprimento?
Não, ela não gosta de mim. Tá me evitando...
E além de tudo ela é um nojinho. Não vale a pena.
Ela te viu. Tá vindo pra cá.
Finge que não viu.
...
O que é que você tá fazendo quieto! Fala!
Tira a mão do bolso!
Peraí... Não!
Sua rodinha tá se desfazendo!
A culpa é sua!
Você é uma vergonha...
E agora? Para onde?
Isso, isso. Esse pessoal é legal.
É mais fácil falar com eles.
Isso! Viu? Eles estão rindo! Não é difícil...
Continue assim.
...
Ela tá olhando pra você.
Até parece. É bonita demais.
Não, tá olhando pra você.
Cochichou alguma coisa com a amiga.
Ela não parece afim de você.
Deve estar te achando engraçado, ridículo.
Seu cabelo deve estar esquisito.
Não tem nenhum espelho por perto...
Só uma ajeitadinha...
Porra! O que você fez!
Seu cabelo devia estar bom, agora ficou esquisito!
Esquece o cabelo! Olha de novo pra ela.
Sumiu...
Você se preocupa demais. Não deveria se preocupar tanto.
E agora tá perdido na conversa.
Vai pegar uma cerveja.
...
Nada como a bebida para dissolver a preocupação.
Mas calma, você bebeu demais.
Anda em linha reta.
Não! Não tropeça na latinha.
Postura. Olhe nos olhos.
Dance. Dance!
Você dança de um jeito ridículo.
Por isso as pessoas da roda pararam de dançar.
Têm medo de estar dançando de maneira tão ridícula quanto você.
Dance diferente. Dance menos.
Olhe para ela. Ela é bonita.
Ela está olhando pra você.
Vocês já conversaram, lembra?
E ela te olhava nos olhos.
E ela tá te olhando agora.
Esquece o cabelo.
Vai lá conversar com ela.
Espera. Não é o momento.
Vai logo.
Não. Vai ser estranho sair agora...
Dança mais um pouco, mas tenta não dançar esquisito.
Agora. Agora é a hora.
Vai lá...
Peraí, a amiga dela tá falando alguma coisa.
Foram embora.
...
Você não devia beber assim.
Agora é impossível andar reto.
Toma o último engov. É um equilíbrio delicado.
Mantém sua matéria unida.
Não tropeça, não cai, não vomita.
Tenta não falar com essa voz pastosa.
Vai pra casa. Dorme.
Não tenta justificar seu fracasso.
Amanhã você escreve alguma coisa no seu blog.
Aja naturalmente. Não se reprima, gesticule ao falar.
Não.... Para... Tá gesticulando demais, você não é assim.
O que você tá fazendo? Nunca cruze os braços! É uma barreira, um sinal de desconforto com a situação!
Ninguém tá desconfortável com a situação aqui...
Olhe para os lados, despretensiosamente.
Conheço essa menina. Será que cumprimento?
Não, ela não gosta de mim. Tá me evitando...
E além de tudo ela é um nojinho. Não vale a pena.
Ela te viu. Tá vindo pra cá.
Finge que não viu.
...
O que é que você tá fazendo quieto! Fala!
Tira a mão do bolso!
Peraí... Não!
Sua rodinha tá se desfazendo!
A culpa é sua!
Você é uma vergonha...
E agora? Para onde?
Isso, isso. Esse pessoal é legal.
É mais fácil falar com eles.
Isso! Viu? Eles estão rindo! Não é difícil...
Continue assim.
...
Ela tá olhando pra você.
Até parece. É bonita demais.
Não, tá olhando pra você.
Cochichou alguma coisa com a amiga.
Ela não parece afim de você.
Deve estar te achando engraçado, ridículo.
Seu cabelo deve estar esquisito.
Não tem nenhum espelho por perto...
Só uma ajeitadinha...
Porra! O que você fez!
Seu cabelo devia estar bom, agora ficou esquisito!
Esquece o cabelo! Olha de novo pra ela.
Sumiu...
Você se preocupa demais. Não deveria se preocupar tanto.
E agora tá perdido na conversa.
Vai pegar uma cerveja.
...
Nada como a bebida para dissolver a preocupação.
Mas calma, você bebeu demais.
Anda em linha reta.
Não! Não tropeça na latinha.
Postura. Olhe nos olhos.
Dance. Dance!
Você dança de um jeito ridículo.
Por isso as pessoas da roda pararam de dançar.
Têm medo de estar dançando de maneira tão ridícula quanto você.
Dance diferente. Dance menos.
Olhe para ela. Ela é bonita.
Ela está olhando pra você.
Vocês já conversaram, lembra?
E ela te olhava nos olhos.
E ela tá te olhando agora.
Esquece o cabelo.
Vai lá conversar com ela.
Espera. Não é o momento.
Vai logo.
Não. Vai ser estranho sair agora...
Dança mais um pouco, mas tenta não dançar esquisito.
Agora. Agora é a hora.
Vai lá...
Peraí, a amiga dela tá falando alguma coisa.
Foram embora.
...
Você não devia beber assim.
Agora é impossível andar reto.
Toma o último engov. É um equilíbrio delicado.
Mantém sua matéria unida.
Não tropeça, não cai, não vomita.
Tenta não falar com essa voz pastosa.
Vai pra casa. Dorme.
Não tenta justificar seu fracasso.
Amanhã você escreve alguma coisa no seu blog.
8.8.06
Seria muita avareza?
Dizem que a trovinha ofende os garçons.
Será que eles não entendem o ar jocoso amigável?
Dizem que a brincadeira esconde uma lógica social perversa.
"Imagina só dizer pra um mendigo que você pode comer de graça porque tem dinheiro!"
Ou será que é a gente que não entende a ofensa?
Será que a gente não entende mesmo?
E o judas do Matrix comia um bife suculento: "Ignorance is a blessing...".
Seria uma picanha classe A?
Será que eles não entendem o ar jocoso amigável?
Dizem que a brincadeira esconde uma lógica social perversa.
"Imagina só dizer pra um mendigo que você pode comer de graça porque tem dinheiro!"
Ou será que é a gente que não entende a ofensa?
Será que a gente não entende mesmo?
E o judas do Matrix comia um bife suculento: "Ignorance is a blessing...".
Seria uma picanha classe A?
Agora eu li...
Assinar:
Postagens (Atom)





